quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Texto 067: DIGNIDADE

E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe, E dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado. E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde. E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz. Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado sarou.” Mateus 8:5-9, 13

Vimos no texto anterior que Jesus iniciou sua caminhada prática para demonstrar aos seus discípulos como cada lição ensinada deveria ser executada no dia a dia. Ele tocou em um leproso que suplicou ajuda e o purificou. Desta vez, ele conversa com um centurião romano que suplica pela vida do servo paralítico e atormentado. Novamente, Jesus derruba um preconceito ao conversar com um soldado do povo que oprimia os judeus. É possível ajudar um inimigo? Jesus não pensa duas vezes e afirma: “eu irei, e lhe darei saúde”. Ele não deixa nenhuma dúvida sobre a sua intenção e missão. Segundo a prática de Jesus, qualquer pessoa é alvo potencial do amor de Deus. Por isto, ele não quer perder esta oportunidade de mostrar aos seus discípulos como demonstrar amor incondicional por alguém que segundo a prática e costumes da época era considerado um inimigo. O amor cobre uma multidão de pecados.

Diante da proposta de Jesus, o centurião replica e afirma que não é digno de receber o mestre em sua casa. Este homem, apesar da autoridade militar que possuía, diante de Jesus, demonstra uma humildade inesperada. Ele reconhece que não é digno da presença do mestre em sua casa e ao mesmo tempo afirma que Jesus tem autoridade para com uma simples palavra ordenar que a doença vá embora. Este centurião demonstra traços desejáveis na vida de um discípulo de Jesus. Como discípulos, precisamos diariamente reconhecer diante de Deus e dos homens a nossa condição indigna, ao mesmo tempo que reafirmamos a autoridade que o mestre Jesus tem sobre nossas vidas. Se agirmos da mesma forma que o centurião todas as vezes que nos apresentarmos diante de Deus, receberemos o conforto em nosso coração e a esperança da presença de Deus em nossas vidas será renovada. Só assim poderemos descansar no amor de Deus apesar da nossa insuficiência e indignidade.

Diante da exposição do centurião e da sua fé demonstrada, Jesus, admirado, afirma que o servo do centurião seria curado. A fé do centurião era o elemento necessário para que a cura fosse realizada. O texto afirma que naquela mesma hora o servo ficou sarado. A cura é importante, mas o mais importante é perceber como Jesus se relaciona com as pessoas. Este é o alvo da sua prática: construir relacionamentos. Os discípulos autênticos precisam imitar o mestre em suas atitudes. Tanto o leproso como o centurião iniciam a aproximação e o diálogo com Jesus. Apesar da proibição de tocar em um leproso e do desprezo que o povo tinha pelos romanos, Jesus dialoga com eles, ouve a necessidades deles e atende cada pedido. Não devemos nos esquivar dos diálogos e dos pedidos de ajuda daqueles que Deus permite que se aproximem da gente. Devemos fazer como o mestre Jesus fez: ouvir, perceber, entender e atender as solicitações e súplicas conforme o poder que Deus colocou em nós, com um amor incondicional. Este é o papel do verdadeiro discípulo: derrubar muros e construir pontes fundamentadas no amor.

“Venha o teu reino, seja feita a tua vontade”.

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